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Passei, e agora?

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Passei, e agora?

Não há nada melhor do que após um ano de exílio estudando freneticamente, num relacionamento  apaixonado com as apostilas do cursinho e a caneta marca texto, poder ver seu nome na lista de aprovados no vestibular. Mas para quem pensa que o show acabou, saiba que o bis sempre vem em seguida. Começa a faculdade e o ritmo de provas, trabalhos e muitas finais, numa avalanche de conhecimentos diferentes. Mas para quebrar a rotina, começam a aparecer algumas questões, que somente a ciência parece ter poder suficiente para perturbar a cabeça de um  cristão universitário. As dúvidas vão do Big Bang até ao nosso parentesco com nossos amigos macacos. Nos vemos encantados com o conhecimento oferecido pela ciência, mas confusos por nos levar a questionar nossas bases cristãs. Os ditos “não cristãos”, vêm nos questionar coisas absurdas como se fossemos cientistas na cruzada de provar a existência divina. O conhecimento passa a assumir a forma de um monstro devorador da fé e “ateizante”. A saída que muitos  encontram para dormir tranquilos é separar a vida cristã do conhecimento científico. Mas, afinal, existe paradoxo maior do que tentar colocar Deus numa caixinha?
Na realidade, não devemos colocar Deus contra o saber científico. O conhecimento vem de Deus, e pode nos aproximar ainda mais d’Ele.  É o caso, por exemplo, de Copérnico, que propôs a teoria heliocêntrica. Em contraposição à teoria geocêntrica, que afirmava que o planeta Terra estava no centro do universo, Copérnico retira a Terra do centro, e coloca o Sol no lugar. A Terra passa a ser apenas um integrante desse conjunto dito sistema Solar, totalmente dependente do astro central, o Sol. Ou quando, através da biotecnologia, foi comprovado o parentesco entre espécies de primatas, e até a relação genética do ser humano com outras espécies. Nesses dois casos, muitos podem acusar que essas descobertas colocam em xeque a existência de Deus e da Criação. No entanto, a única coisa ameaçada foi o ser humano. A Terra, planeta onde moramos, deixa de
ser o centro, tirando a visão de que somos o centro de tudo. Nos colocar geneticamente próximos a uma bactéria, por exemplo, retira o nosso ego de “espécie superior”. Nós somos retirados do centro, permitindo uma ótima oportunidade para que Deus, com a Sua grandiosidade, seja colocado no centro de tudo.
Deus tem sido o centro da sua vida?

Deborah Andrade Torquato
Estudante de ciências biológicas – UFPR